2014 - GRANDE PRÉMIO DE

TEATRO PORTUGUÊS

Declaração do Júri do Grande Prémio de Teatro Português.

O grande Prémio de Teatro português instituído pela Sociedade Portuguesa de Autores e pelo Teatro Aberto em 1997 é, em Portugal, o mais importante prémio a galardoar os autores da escrita e da criação dramáticas.

Para além do troféu simbólico e do prémio monetário atribuídos ao autor da peça distinguida, o regulamento do Grande Prémio contempla ainda a edição em livro da obra premiada. Para mais, o regulamento garante a montagem e apresentação pública do espectáculo a que o texto vencedor dará origem, possibilitando ao autor uma estimulante oportunidade de confrontar a prática da sua escrita com o labor do palco.

Desde a instituição do Grande Prémio de Teatro Português, todas as obras premiadas foram montadas e levadas à cena pelo Teatro Aberto. Actualmente, decorrem neste teatro, os ensaios da peça “A Acompanhante”, distinguida com o Grande Prémio em 2013, a qual estreará no próximo mês de Junho, com encenação de Gonçalo Amorim.

O Júri do Grande Prémio de Teatro Português de 2014, presidido por João Lourenço, na qualidade de director artístico do Teatro Aberto e de administrador e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, e constituído por Francisco Pestana, Marta Dias e Vera San Payo de Lemos, em representação do Teatro Aberto, e por Luís Filipe Costa, Rui Mendes e Tiago Torres da Silva, em representação da Sociedade Portuguesa de Autores, decidiu, por unanimidade, atribuir o Grande Prémio de Teatro Português de 2014 à peça Ao Vivo e em Directo, da autoria de Raul Malaquias Marques.
O Júri considera que, para além da consistência técnica da construção e do desenvolvimento dramáticos, a obra premiada distingue-se pela depuração da escrita e pela sua subtileza em criar diálogos tensos e intrigantes, bem como pela forma relevante como aborda uma temática política complexa e actual.

A peça Ao Vivo e em Directo apresenta uma reflexão premente sobre o poder e a verdade, numa parábola sobre a culpa: um homem sem nome, muitos anos passados sobre um julgamento de contornos duvidosos, confronta-se com a sua consciência. Este texto questionaainda a ética e a responsabilidade cívica dos meios de comunicação social, sem esquecer o enquadramento familiar das personagens que dão vida ao conflito apresentado, deixando em aberto uma reflexão maior acerca da corrupção e da integridade na condição humana.

O Júri congratula-se, assim, com a escolha deste ano, convidando todos os autores, que desejem expressar-se através da escrita dramática, a continuarem a participar no Grande Prémio de Teatro Português, e apresenta os seus parabéns ao autor da peça premiada:

Parabéns, Raul Malaquias Marques!